Manutenção
Paragem técnica: como planificá-la para reduzir custos sem interromper a produção
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Toda a ação proativa numa unidade industrial é fundamental para garantir o seu funcionamento eficiente e seguro, reduzir riscos, evitar custos inesperados e apostar na melhoria contínua… No entanto, muitas vezes, a complexidade dos processos, dos equipamentos ou das condições operacionais impede que estas intervenções sejam realizadas com a unidade em funcionamento. Por esse motivo, é habitual interromper a produção através de paragens programadas.
Neste artigo apresentamos as melhores práticas para planificar e executar paragens técnicas numa fábrica, otimizando recursos e reduzindo custos, sem comprometer os resultados, a segurança ou a produção.
Uma paragem técnica é um processo planeado em que a produção de uma unidade industrial é temporariamente interrompida, de forma total ou parcial, com o objetivo de executar tarefas de manutenção, inspeções, reparações, atualizações de equipamentos, ajustes de sistemas, substituição de componentes ou qualquer outra intervenção necessária para garantir condições operacionais ótimas e seguras.
São paragens programadas com antecedência. Normalmente, cada fábrica necessita de interromper as suas operações uma vez por ano para manutenção preventiva, enquanto, a cada 4 ou 5 anos, realiza uma paragem para executar trabalhos de maior envergadura. A sua duração pode variar: paragens de manutenção de apenas algumas horas, de vários dias ou mesmo de semanas, dependendo das atividades a realizar nesse período.

Uma paragem programada numa unidade industrial engloba sempre um conjunto de motivos, como necessidades técnicas, requisitos regulamentares, análises de risco, melhorias tecnológicas, entre outros. As tarefas executadas durante estas interrupções planeadas são multifacetadas, exigem a intervenção de várias disciplinas e podem afetar toda a unidade ou apenas determinadas áreas ou departamentos.
Os objetivos e o âmbito de uma paragem de manutenção devem estar sempre claramente definidos, com os recursos adequadamente atribuídos. Tratam-se de investimentos planeados, destinados à prevenção de incidentes dispendiosos e avarias, à melhoria contínua e à redução de paragens não programadas. Por isso, por detrás de todo este planeamento existe uma análise de riscos e um estudo de custo-benefício a longo prazo, que permite avaliar quanto custa parar agora versus quanto custa não interromper a unidade e enfrentar falhas ou interrupções mais tarde (em termos financeiros, de penalizações, competitividade, segurança, etc.).
Vejamos os principais objetivos de uma paragem programada:
Na manutenção preventiva por paragem técnica são executadas todas as tarefas que ajudam a prolongar a vida útil dos ativos e a reduzir a probabilidade de avarias inesperadas, mas que não podem ser realizadas com a unidade em funcionamento:
Por outro lado, embora a manutenção corretiva implique reparar ou substituir elementos apenas após a ocorrência de falhas, também é possível planear a correção de avarias ou problemas que não exigem intervenção imediata (manutenção corretiva programada). Por exemplo:
A manutenção durante uma paragem técnica pode também incluir inspeções visuais exaustivas e ensaios não destrutivos aos equipamentos mais críticos. Este processo inclui ainda a identificação dos instrumentos ou máquinas que necessitam de calibração. Para tal, comparam-se as medições fornecidas pelo equipamento com o padrão aceite ou regulamentado.
A calibração é um fator crucial para a qualidade e a segurança do produto ou da peça final.
Não existe apenas a manutenção por paragem técnica. Esta interrupção da instalação também é aproveitada para a melhoria contínua e modernização das infraestruturas. Algumas das ações mais habituais são:

As interrupções operacionais afetam sempre as cadeias de abastecimento, os objetivos de produção, as expectativas de investidores e clientes… Além disso, as paragens programadas de uma instalação podem custar milhões de euros. Por exemplo, no ano de 2022, a Repsol destinou 100 milhões de euros à manutenção decorrente da paragem técnica da sua refinaria em Tarragona, que teve uma duração de 53 dias.
São muitos os fatores importantes que estão em jogo. Por isso, deve começar-se com um planeamento integral e detalhado, no mínimo entre 12 e 24 meses antes da paragem. Nesta fase, definem-se parâmetros críticos, tais como:
Além disso, é crucial:
Elabore um organograma da equipa de suporte durante a paragem programada da fábrica. Normalmente, as funções principais são as seguintes:
O planeamento de uma paragem técnica deve sempre partir de dados. De quais? Dos provenientes de inspeções, de históricos de falhas, de análises, de registos da manutenção executada, etc. É o que permite determinar o nível crítico de cada ativo e estabelecer as intervenções prioritárias na instalação. Para isso, é essencial um sistema informatizado de gestão da manutenção (CMMS) que centralize a informação técnica e facilite a tomada de decisões.

Deve adotar-se uma visão holística da paragem programada. O plano deve abranger tanto o período de intervenção, através de um cronograma de execução, como todas as ações antecipadas que condicionam a atuação.
Que ações antecipadas? Principalmente:
Coordenar logística, acessos e fornecimentos especiais
Numa paragem de manutenção, a logística é tão estratégica como a execução das tarefas técnicas. Por isso:
Validar o plano de segurança antes de executar
Nenhuma paragem começa sem a aprovação de um plano de gestão de riscos. Este deve abordar diferentes frentes:

Vejamos as principais soluções que aumentam a eficiência e a segurança das paragens programadas em instalações industriais.
| Algumas ferramentas tecnológicas que otimizam as paragens de manutenção | |
| Sistema de gestão da manutenção (CMMS) | Facilita o planeamento integral das paragens de manutenção. Por exemplo, um CMMS:
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| Modelação de instalações em 3D | Facilita a visualização e o planeamento de cenários. |
| Tecnologias de monitorização de condições, para a programação estratégica da manutenção corretiva. | Por exemplo, a análise de vibrações e as imagens térmicas ajudam a detetar avarias antes de causarem danos e se tornarem emergências. |
| EPI digitais. | São equipamentos de proteção individual que integram tecnologias de vanguarda, como sensores IoT, cartões RFID, GPS, conectividade USB, etc. Basicamente, são compostos por hardware e software, armazenam dados em tempo real e permitem conhecer o estado de segurança do trabalhador. |
| Dispositivo de deteção de homem caído | É transportado no cinto, no capacete ou no arnês. É uma solução baseada em sensores que, ao detetar uma queda ou a ausência de movimento, inicia o ciclo de emergência, com alertas para o centro de comando ou para outros trabalhadores. |
Para além do planeamento rigoroso da manutenção durante a paragem técnica, é crucial otimizar os recursos para minimizar as despesas. Mas não se trata de poupar em equipamentos de proteção nem de realizar apenas pequenas melhorias durante a paragem, para depois deixar todo o peso ao departamento de manutenção.
Deixamos-lhe algumas recomendações para reduzir os custos sem colocar a segurança em risco:
Quando o planeamento da paragem programada é profissional, os resultados são evidentes e quantificáveis:
A nível financeiro, uma paragem bem executada minimiza as perdas de produção e reduz o custo total associado a paragens inesperadas e a manutenções corretivas, uma vez que corrige as causas pela raiz.
E, em termos de segurança, uma paragem bem planeada diminui os incidentes graves e permite o cumprimento das normas técnicas e legais.
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